quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

AS TRÊS GRANDES LUZES EMBLEMÁTICAS DA MAÇONARIA

Na iniciação maçônica, após o juramento e ao receber a Luz, o neófito, defronta-se imediatamente com as três grandes Luzes emblemáticas da Maçonaria universal que encontram-se sobre o Altar dos Juramentos: O Esquadro, o Compasso e o Livro da Lei.
Neste momento, a recepção da Luz é o ponto culminante de sua iniciação maçônica, tendo como objetivo maior a relação que une o ser a Deus.
Quando o maçom põe a mão nua e faz o juramento sobre as três Grandes Luzes da Maçonaria - o Livro da Lei Sagrada, o Compasso e o Esquadro -, ele assume um compromisso pelo Homem inteiro, com todas as suas qualidades e defeitos, com suas forças e suas imperfeições, confiando em que o contato entre essas três Grandes Luzes e si próprio redundará no seu aperfeiçoamento.
Este ato solene é realizado em presença do Grande Arquiteto do Universo, quando adquire um caráter espiritual, comprometendo a consciência religiosa do ser homem. Nestas condições, a sua Honra e a sua Fé dão garantia da legitimidade de suas afirmações.
Partindo desta premissa, cumpre-nos a tarefa de pincelar nos parágrafos ulteriores, alguns dos significados individuais e conjuntos das Três Grandes Luzes da Maçonaria.

O COMPASSO
O Maçom aplica esta ferramenta às suas morais. Nesse sentido: “O compasso nos lembra da ferramenta da justiça infalível e imparcial do Grande Arquiteto. Depois de definir os limites do bem e do mal para nossa instrução, ele nos recompensará, ou punirá, por termos obedecido ou desrespeitado seus comandos divinos(…)”.
Com o Compasso podemos traçar e desenhar o círculo espelhado para o infinito, centralizado pelo ponto que pode representar o início de toda a evolução, o ovo cósmico.
Ao abrir e fechar suas pontas delimita espaços. Representa a Justiça e nos ensina o princípio e o fim de nossas prerrogativas. Na ação como instrumento figura a dualidade de suas hastes e a união destas na sua junção. É nisto que se exprime um dos mais sublimes preceitos maçônicos, ou seja, o da união, da harmonia e do amor entre os maçons (Vide Laços Fraternais, Corda de 81 nós).
Ele é composto de dois braços articulados e ligados pôr um eixo. Com ele descrevem-se círculos cujo centro ele indica nitidamente, assim como os raios e o diâmetro. Tais círculos serão a delimitação do trabalho maçônico na sociedade, e internamente, construindo o Templo.
O compasso, portanto, é a imagem do pensamento nos diversos círculos que ele percorre; o afastamento de seus braços e sua aproximação representam os diferentes modos do raciocínio que, de acordo com as circunstâncias, devem ser abundantes e amplos, ou precisos e estreitos, mas sempre claros e persuasivos. O absoluto e o Relativo estão representados pela ação do Compasso, que é também a figura da dualidade (braços) e da união (a cabeça do Compasso). Por esta razão adota a Maçonaria o Compasso como um de seus grandes símbolos, e coloca-o sobre o Altar da Loja, enlaçado com o Esquadro para simbolizar o Macrocosmo, e o Livro da Lei para significar a sabedoria que ilumina e dirige tanto o Macrocosmo (conjunto de todos os corpos que constituem o universo) como o Microcosmo (o Maçom) representado pelo Esquadro. Os três são assim considerados as grandes jóias e as grandes luzes da Maçonaria.
Deste modo, o compasso sobre o Livro da lei representa o princípio divino enunciado pelo Grande Arquiteto do Universo, que deve ser manifestado tanto no cosmos quanto no indivíduo, permitindo que os dois funcionem e sejam compreendidos de acordo com as leis que governam o universo.

O ESQUADRO
Por sua vez, o Esquadro, para execução dos projetos é imprescindível, significando como que a base de um edifício. É um instrumento muito útil para traçar ângulos retos, baseado no teorema de Pitágoras. Podemos aplicar este teorema ao nosso comportamento na vida profana, onde as linhas retas do esquadro podem indicar-nos o caminho mais curto para a prática das virtudes.
Esquadro significa a retidão, limitada por duas linhas: uma horizontal, que representa a trajetória a percorrer na Terra, ou seja, o determinismo, o destino; e outra vertical, o caminho para cima, dirigindo-se ao cosmo, ao universo, ao infinito, a Deus. Também simboliza a carne, o corpo físico.
O Esquadro (do latim exquadra e exquadrare, esquadrar) é um instrumento, cuja propriedade é tornar os corpos quadrados; com ele seria impossível fazer um corpo redondo.
Simboliza, portanto, a importância de ajustar os cantos retangulares dos edifícios e a necessidade de colocar a matéria bruta na forma certa. O esquadro nos ensina a regular nossas vidas e ações segundo a linha e regra maçônica, e a harmonizar nossa conduta nesta vida para nos tornar aceitáveis a esse ser divino de quem toda a bondade emana e a quem prestamos contadas de nossas ações.  Assim, segundo a doutrina de ROBERT LOMAS:
“Com a ajuda do esquadro, a matéria bruta é colocada na forma certa. Usando-o, os Irmãos conseguem resolver quaisquer animosidades que surgirem entre eles, para o negócio da Maçonaria ser conduzido com harmonia e decoro. Logo, o Esquadro ensina moralidade e como regular nossas ações”.
É certo que cada Loja é comandada por um Venerável Mestre e ele é auxiliado pelos Primeiro e Segundo Vigilantes. Cada um tem uma função na administração da Loja, e isso é marcado por um símbolo de ofício e uma explicação ritualística, metafórica e poética.
O Papel do Venerável Mestre é empregar e instruir os Irmãos na Maçonaria: “Assim, como o sol aparece no Oriente para principiar a sua carreira e romper o dia, assim o Venerável ali tem assento para abrir a Loja ajudar os Obreiros com seus conselhos e iluminá-los com suas luzes.”
O Venerável usa o Esquadro como uma jóia pendurada em seu cordão; nesse Esquadro, os dois braços não são iguais, estão numa relação de três por quatro. Em geral, ele é adornado em seu anverso, o que implica um sentido bem definido. Sobre o peito do Venerável, o braço mais longo fica do lado direito; assimila-se assim a preponderância do ativo (lado direito) sobre o passivo (lado esquerdo); significa que a vontade de um chefe de Loja só pode ter um sentido, o dos estatutos da Ordem, e que ela só deve agir de uma maneira: a do bem.
Simboliza a Eqüidade, Justiça e Retidão, e constitui a jóia do cargo de Venerável, porque este deve ser o maçom mais reto e justo da Loja. Em conjugação com o compasso, que representa Deus (Espirito), para o qual deve o iniciado dirigir constantemente suas aspirações, o Esquadro substitui o quadrado para representar o mundo, ou o eu inferior com seus desejos e paixões subjugadas e dominadas, e recorda aos maçons que devemos buscar à sua fonte de origem e desprendermos-nos das ilusões terrenas. Por isto se diz que o verdadeiro maçom se encontra sempre entre o Esquadro e o Compasso.
Nos três graus simbólicos é o símbolo da retidão e disciplina maçônica: o Aprendiz e o Companheiro o usam como sinal de Ordem e marcham com os pés formando esquadro, e o Mestre o adota igualmente em sua marcha.
É sabido que, nenhuma Loja Maçônica regular, desenvolve seus trabalhos sem que o Esquadro, o Compasso e o volume da Ciência Sagrada (Livro da Lei), estejam no Altar dos Juramentos, aberto no Grau que à Loja esteja desenvolvendo.
Portanto, o Esquadro é o símbolo da retidão e nos ensina a permanecermos fiéis aos princípios maçônicos.

O LIVRO DA LEI
Ao pleitearmos o ingresso na vida maçônica, tomamos ciência de que embora não seja a maçonaria uma religião, necessária se faz a crença em um Princípio Criador, o qual depois de iniciados denominamos “O Grande Arquiteto do Universo”. Mais ainda, logo que conhecemos os Landmarks, vemos que esta crença é de suma importância, como a vida futura também assim o é, e que é indispensável, no Altar, estar o Livro da Lei.
A sua leitura é feita em todas as sessões, independente do grau, e tem por finalidade, embora seja certa a onipresença de Deus, invocar a benção do Grande Arquiteto do Universo para os trabalhos a serem executados, propiciando a fraternidade e o amor entre os irmãos.
O Livro da Lei, para o nosso espírito, significa a equidade e o traçado espiritual para o aperfeiçoamento do maçom.
Ele é o instrumento da Sabedoria que nos ilumina e nos guia, regulando a nossa conduta tanto no Maçonaria quanto na vida Profana.
Como dito, sobre o Livro da Lei são efetivados nossos juramentos, pois é o ponto culminante do cabedal interior para o recebimento da Verdadeira Luz.
A existência do Livro da lei sobre o altar dos juramentos representa um dos grandes Landmark's da Maçonaria, regramentos estes que retratam uma ordem maçônica completa, tanto do ponto de vista administrativo, quanto litúrgico e místico:
“É indispensável a existência no altar de um 'Livro da Lei'. Não cuidando a Maçonaria de intervir nas peculiaridades da fé religiosa de seus membros, esse livro pode variar conforme os credos"
Este landmark nos fala do Livro da Lei, porém na verdade é o Livro Sagrado ou Livro da Lei Moral, Bíblia, Alcorão, Torá, Talmud, etc..., pois mais adiante no mesmo Landmark fala-se em fé religiosa e credos, portanto não caberia colocarmos como Livro da Lei, por exemplo, a Constituição Federal de nosso país ou mesmo a Constituição da Potência. Cada povo terá a presença do Livro Sagrado que representar a sua fé, pois a presença do Livro Sagrado (Livro da Lei Moral), constitui a prova da liberdade de culto, porque em cada País a Maçonaria terá o Livro da fé de seus membros. A leitura do Livro sagrado e ou Livro da Lei , dentro dos Templos, sempre constituiu parte importante e altamente cerimoniosa, porque a “palavra” foi dada para ser obedecida, e a renovação de sua leitura, sendo já conhecida por todos, no dia a dia, assume novos aspectos despertando assim, o homem por um caminho tranquilo e traçado em seu beneficio pelo Grande Arquiteto do Universo.
A leitura do Livro da Lei para abertura das sessões, portanto, é considerado liturgia de grande importância, porquanto simboliza a presença efetiva da palavra do Grande Arquiteto do Universo entre os Irmãos.
Segundo matéria da revista A Trolha, o uso do Livro da Lei foi estabelecido em 1717, por intermédio da Grande Loja da Inglaterra, apesar de haver referência ao seu uso a partir de 1670. 
Castelani afirma que:
“a leitura do salmo foi usada pela primeira vez, em meados do século XVIII, por algumas Lojas do Yorkshire, na Inglaterra, quando ainda nem havia um rito plenamente organizado. Em pouco tempo, esse hábito foi abandonado e, já a partir da adoção do rito Inglês de Emulation, (que indevidamente fala-se em “de York”) abria-se a Bíblia em qualquer lugar, sem leitura de versículos. Todavia, esse hábito foi retomado por algumas Grandes Lojas norte-americanas, principalmente a de Nova York. Nos EUA, no simbolismo, só se pratica o rito de York, pois o REAA só é praticado nos Altos Graus. Da Grande Loja de Nova York, por cópia, o salmo foi introduzido no Brasil e em algumas outras Obediências da América do Sul, no REAA. Neste, na verdade, tradicionalmente se abre o Livro em João e são lidos os versículos 1 a 5 do capítulo 1”.
Ao se aprofundar na pesquisa acerca do Livro da lei, percebe-se uma gama de autores que citam haver uma influência muito grande do Novo e do Velho testamento sobre a ritualística maçônica.
Exemplo clássico é a leitura do Salmo 133 que já era adotado desde 1128 pelos Cavaleiros Templários, nas suas cerimônias de iniciações, onde David enaltece a fraternidade citando Aarão no contexto dos Montes Sião e Hermon:
“Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes como o orvalho de Hermom, e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre.” Salmos 133:1-3
No mesmo sentido,  podemos citar alguns exemplos como:
BATERIA: “À porta do Templo (Lucas - cap. 11, ver. 09) - Batei e sereis atendidos. - Pedi e recebereis. - Procurais e achareis.”
INICIAÇÃO:
Viagens – “E guiarei os cegos pelo caminho que nunca conheceram, fá-los-ei caminhar pelas veredas que não conheceram; tornarei as trevas em luz perante eles, e as coisas tortas farei direitas. Estas coisas lhes farei, e nunca os desampararei.” Isaías 42:16
Purificação pela água e pelo fogo – “Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.” Isaías 43:2
Nem nu nem vestido – “E disse: Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa.” Êxodo 3:5
 - “Então disse o Senhor: Assim como Isaias, meu servo andou três anos despido e descalço...”  (Isaias - cap. 20, vers. 03)
ESPADA FLAMEJANTE – O Venerável Mestre, depois de o iniciado receber a “Luz” o proclama Maçom, por três vibrações ou fagulhas do fogo divino. Simbolicamente morto para o mundo profano o iniciando se habilita para uma nova vida. “E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.” Gênesis 3:24”.
SIGILO MAÇÔNICO – “Edificava-se o Templo com pedras já preparadas nas pedreiras, de maneira que nem martelo, nem machado, nem instrumento algum de ferro se ouviu no Templo quando o edificavam.” (Reis III - cap. 06, ver. 07).
PEDRA BRUTA – “Chegando-vos para ele a pedra que vive, rejeitada pelos homens, mas para  Deus, eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual...”. (1º Livro-Epist. de Pedro – cap. 02, vers. 04 e 05).
A TAÇA SAGRADA – “Porque na mão do Senhor há um cálice, cujo vinho espuma cheio de mistura, dele dá a beber, servem-nos até escórias, todos ímpios da terra”.    (Salmo – cap. 75, vers. 08).
AMOR AO PRÓXIMO – O ritual do 1º Grau é abundante de citações de amor ao próximo. “Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é que vos ameis uns aos outros”.  (1º livro – Epist. De S. João, cap.03, vers. 11).
OS TRES PASSOS DO APRENDIZ – Os passos em esquadria significam que o passo é justo, é reto. Significa que a retidão é necessária a quem deseja vencer na ciência e na virtude. “A vereda do justo é plana; tu que és justo, aplanas a vereda dos justos”. (Isaias – Cap. 26, vers. 07).
LOJA JUSTA E PERFEITA - Para uma Loja ser justa e perfeita é necessário sete Irmãos. “A sabedoria edificou a sua casa e lavrou suas sete colunas”. (Prov. – cap. 09, vers. 01).
A RECONCILIAÇÃO COM TEU IRMÃO - Maçom inimizado ou não reconciliado com seu Irmão não deve entrar em Loja. “Lembrarás que se teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com ele e então voltando, faça tua oferta.” (Matheus – cap. 05, vers. 23 e 24).
O OLHO QUE TUDO VÊ – “Os olhos do Senhor repousam sobre os justos e os seus ouvidos estão abertos a seu clamor.”.  (Salmos – cap. 34, vers. 15).
BENEFICÊNCIA MAÇÔNICA – “Quando, pois deres esmola, não toques trombetas diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles receberam a recompensa. Tu, porém, ao dares a esmola faça que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita.” (Matheus – cap. 06, vers. 02 e 03).
TRANSMISSÃO DA PALAVRA SAGRADA - Segundo a lenda, quando da construção do Templo de Salomão, a Palavra dos Mestres era conhecida por três personagens que tinham o poder de comunicá-la de maneira que a ausência ou desaparecimento de um só dentre eles, tornava-se essa comunicação impossível. E, uma Loja, efetivamente, não poderá ser aberta sem a presença de no mínimo três Mestres. “Uma palavra me foi dita em segredo e os meus ouvidos perceberam o sussurro dela”. (Jó – cap. 04, vers. 12).
O Livro da Lei além de influenciar na ritualista maçônica, representa, portanto, o código moral e ética que deve prescrever a vida que cada um adota e a fé que nos governa.

A SIMBOLOGIA DA UNIÃO ENTRE O COMPASSO E O ESQUADRO
Como visto, o Compasso serve para nos manter nos limites devidos com toda a humanidade, principalmente nossos Irmãos da Maçonaria.
O Esquadro e o Compasso, quando unidos, regulam nossas vidas e ações. O primeiro representa a retidão da matéria de modo a se aperfeiçoar, enquanto que o segundo é um símbolo de energia funcional do espírito e que deve sobrepor-se à matéria, refletindo o aperfeiçoamento do maçom rumo à escada de Jacó.
Enquanto uma Loja estiver em funcionamento, as três grandes luzes da Maçonaria devem permanecer unidas.
No grau de Aprendiz, o Esquadro cobre os dois braços do Compasso, indicando que nesse grau não se pode exigir mais do neófito além de sinceridade e confiança, consequências naturais da equidade e da retidão .
Sendo o Compasso o símbolo do Espírito e o Esquadro o símbolo da matéria, no nosso grau de Aprendiz, a Matéria domina o Espírito, daí o Esquadro sobre o Compasso.
Assim, na marcha das trevas para a luz, encontra-se diversos símbolos, entre os quais as três grandes luzes de uma loja, que são: o Esquadro, o Compasso e o Livro da Lei que devem estar sempre sobre o Altar dos Juramentos em Loja Aberta. O compasso (espírito) encontra-se coberto pelo Esquadro (matéria) significando que, no Aprendiz, ainda pedra bruta, o espírito ainda não conseguiu libertar-se do domínio da matéria .

DA CONCLUSÃO
Devido à extensão da história que deu origem aos símbolos mais usuais da Maçonaria, o presente trabalho limitou-se em realizar breves pinceladas dentro de minhas fronteiras acerca da importância da simbologia para compreensão do trabalho desenvolvido em Loja, tomando especial enfoque ao Rito Adonhiramita, ao grau de Aprendiz, à ritualística maçônica e ao significado espiritual e moral das Três Grandes Luzes da Maçonaria.


Fabrício de  Mello Marsango
Cascavel-PR

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LOMAS, Robert, O Poder Secreto dos Símbolos Maçônicos. Ed. Madras, 2014, São Paulo.
REVISTA UNIVERSO MAÇÔNICO. O Significado da Estrela de Davi e do Hexagrama. http://www.revistauniversomaconico.com.br/esoterismo-e-astrologia/o-significado-da-estrela-de-davi-e-do-hexagrama/
FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria. 17ª edição - 06/2011. Editora Pensamento, 2011, São Paulo.
BOUCHER, Jules. A Simbólica Maçônica. 15ª reimpressão - 07/2013. Ed. Pensameto, 2013, São Paulo.
GOMES, Pinharanda. A Regra Primitiva dos Cavalheiros Templários. Ed. Hugin, 1990, Lisboa, Portugal.
Revista A TROLHA, ago. /97;

terça-feira, 15 de abril de 2014

A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA - UMA VISÃO MAÇÔNICA

A maçonaria tem por fim combater a ignorância em todas as suas modalidades; é uma escola mútua que impõe este programa: (…) trabalhar incessantemente pela felicidade do gênero humano...

  Reza o ritual do Aprendiz Maçom do R.E.A.A. adotado pela Grande Loja do Estado Do Rio Grande Do Sul, que a "maçonaria tem por fim combater a ignorância em todas as suas modalidades; é uma escola mútua que impõe este programa: (...) trabalhar incessantemente pela felicidade do gênero humano (...)". Mais adiante, uma frase, que particularmente reputo como uma das mais ricas e mais representativas de nossos verdadeiros objetivos: "(A Maçonaria) É uma instituição que tem por objetivo tornar feliz a humanidade, pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade e pelo respeito à autoridade e à religião".
   "Felicidade do gênero humano" e " tornar feliz a humanidade". Não raro, em todas as obras e rituais maçônicos, deparamo-nos com a palavra "humanidade". A idéia do valor intrínsico da pessoa humana, encontra suas origens no pensamento clássico e no ideário Cristão. Na cultura ocidental, diversas referências encontramos sobre a criação do homem " à imagem e semelhança de Deus", premissa de que foi extraída a idéia de que todo ser humano é dotado de um valor próprio, intrínseco, na figura de uma só pessoa humana está representada toda a humanidade.
    Ao longo da história, podemos comparar a evolução da espécie humana com a idéia do que a humanidade pensa sobre sua própria condição existencial. No pensamento estóico, verificado nas clássicas tragédias gregas, , já estava patente que o ser humano possuía uma dignidade que o distinguia das demais criaturas, no sentido de que todos são portadores da mesma, em que pese as diferenças sociais e culturais. Mesmo durante o medievo, Tomás de Aquino continuou sustentando a divindade da "dignitas humana". Immanuel Kant sustenta que o homem não pode ser tratado - tem mesmo por ele próprio - como objeto, pois em si está representada toda a humanidade. Os ideais da revolução francesa, com seu tríplice "Liberdade, igualdade e fraternidade", foram uma espécie de condensação de todo um pensamento filosófico produzido pela humanidade ao longo de sua existência.
    No moderno pensamento filosófico e social, a questão da dignidade da pessoa humana está cada vez mais, ocupando espaço como a questão fundamental, pilar de toda existência social, não obstante flagrantes situações de desrespeito individual à condição humana, como bem vimos nos recentes conflitos que permearam o Séc XX. Mas, repito, desrespeito individual, uma vez que praticados por grupos contra grupos. A utópica realização plena da dignidade da pessoa humana continua a ser incansavelmente buscada pelas relações sociais e jurídicas de grupos de nações e grupos de pessoas, mesmo que entre este último, inconscientes de sua própria busca. Quanto à característica utópica dessa busca, lembro-me vagamente das palavras de Galleano, que situa a utopia no horizonte de suas intenções. A cada dez passos que tenta aproximar-se desse horizonte, dez passos ele se afasta. Vinte passos, e vinte passos afastados. Pergunta-se: "Mas afinal, porque a busco? Qual o objetivo de sua existência, se já me convenci de que é inalcançável?" E responde-se: "Seu objetivo é exatamente este, obrigar-me a dar os passos."
    E a Maçonaria atual, em que ponto desta busca utópica se situa? Qual sua atuação no sentido de colaborar, enquanto Ordem, no reconhecimento universal da Dignidade da Pessoa Humana? A história é rica em relatar a participação de Maçons enquanto indivíduos, e da Maçonaria enquanto instituição, na petrificação dos ideais humanitários. A revolução Francesa, o abolicionismo da escravatura no Brasil, os diversos fatos e atos de ilustres maçons no reconhecimento e na implementação de um Estado igualitário, justo e perfeito.        Ao lapidar a pedra bruta em que se reconhece, o Maçom tem por dever aparar as mundanas arestas que o tornam falível enquanto indivíduo, para que em si possa espelhar todo o valor da humanidade plena. Tem por dever absoluto preparar-se para ser o ponto reflexivo de tudo que em si representa esta idéia.
    Ao jurarmos " ... conservar-me sempre cidadão honesto e digno, (...), nunca atentando contra a honra de ninguém...", estamos perante o Grande Arquiteto do Universo, prometendo envidar todos os esforços no sentido de valorizar um dos aspectos mais marcantes inerentes à dignidade da pessoa humana: A honra. Honra e Dignidade são palavras quase que sinônimas, pois encerram valores magnos pertinentes e exclusivos do ser humano.
    Dignidade, ou honra neste caso, são amplamente garantidas na Carta Constitutiva do Brasil, e em quase todas as Constituições do mundo livre, em suas cláusulas imutáveis, ou pétreas. Mas como transformar a utópica afirmativa impressa na Constituição em fatos concretos, no nosso dia a dia? Não podemos mais, a exemplo do passado, destinar o Tronco de Solidariedade para a compra e alforria de um escravo, ou fomentar revoluções libertárias no interior de nossos templos.
    Não podemos mais ficarmos adstritos aos Templos, enquanto lá fora a sociedade a qual pretendemos modificar através de nosso interior aperfeiçoamento, peca pela omissão quanto ao respeito a essa Dignidade. Quantas e quantas vezes, ao final de uma sessão, após um lauto ágape, embarcamos em nossos carros e, na primeira esquina, olhamos indiferentes ao ser humano, descalço, que implora ao "tio" uns trocados? Quantas e quantas vezes, enquanto cidadãos, encaramos impotentes e apáticos a ação do Estado contra as minorias menos abastadas? Quantas e quantas vezes, passamos por um animal maltratado e ficamos penalizados com sua situação, e quando olhamos nosso semelhante, não damos a devida atenção?
    Ora, direis, contar estrelas... Quão inócuo é a observação dos problemas sem a devida apresentação de soluções práticas, e quão fácil é o tratamento filosófico a uma situação real. Mas a Maçonaria, se não esquecesse que a utopia é inatingível e não desse os primeiros passos rumo ao horizonte utópico, não teria como contabilizar entre seus feitos, uma revolução francesa, uma abolição da escravatura, e tantas outras ações tomadas a partir de um ideal humanitário. A nós, modernos Maçons, restam ainda muitos caminhos a serem trilhados. Se, unidos tal nossa simbólica Cadeia de União, agregarmos esforços conjuntos e reconhecermos nosso papel na luta pela Dignidade da Pessoa Humana em termos contemporâneos, ou seja: a garantia à vida, à saúde, à alimentação, à moradia, e à uma existência plena, estaremos justificando às gerações maçônicas passadas, e quiçá, às futuras, nossa razão de existir.
    A proposta atual, e factível, é a educação da geração vindoura. Que nossas Lojas, nossos Maçons, aproveitem instituições já consagradas como apoio à educação infanto-juvenil, tais como o escotismo, os De Molay, as APJ's, os Amigos da Escola, as Filhas de Jó, e outras, para que através de doações individuais ou enquanto Ordem - e tais doações não necessariamente financeiras - possam trabalhar valores que, num contexto a médio e longo prazo, farão a diferença na plena, e aí sim, concreta, valorização da Dignidade da Pessoa Humana.

Marcio Ailto Barbieri Homem - PORTO ALEGRE  - RS

domingo, 19 de junho de 2011

CERIMÔNIA PÚBLICA DE ASSENTAMENTO DA PEDRA ANGULAR DO SUPREMO CONSELHO DO GRAU 33 EM MARINGÁ/PR

A Maçonaria promoveu dia 18 de junho, às 10h3o, a cerimônia pública de assentamento da pedra angular do futuro Templo Maçônico da 6ª Inspetoria litúrgica do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil, em Maringá.

O evento aconteceu na Rua Pioneiro Lazaro Claro da Silva, no Jardim São Conrado, e foi presidido por Luiz Fernandes Torres, cidadão honorário de Maringá e Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil.

A pedra - uma caixa de mármore branco - foi enterrada no terreno do futuro templo e será aberta no dia 18 de junho de 2061. Dentro da caixa, estarão jornais do dia e mensagens com desejos para o futuro.

“O gesto feito hoje será repetido dentro de 50 anos, com reunião dos jornais do dia e de mensagens para o futuro em uma caixa, que serão lidas em 2111. Essa atitude tem a função de olhar para o passado, aproveitar as experiências e consultar as aspirações da sociedade. Daqui a 50 anos, a caixa será aberta e o conteúdo examinado e debatido", explica José Buzato, Inspetor Litúrgico da 6ª Inspetoria Especial do Grande Oriente do Paraná, do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil, da qual fazem parte maçons de Maringá e região e de Cascavel.

De Cascavel, fazem parte da 6ª Inspetoria Liturgica do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil, os maçons da Loja Maçônica Justiça Adonhiramita, que tem como Venerável Mestre Sergio Antonio Tomasetto.

Estiveram presentes na cerimônia os maçons cascavelenses Ademir Jesus da Veiga, Presidente da Loja Filosófica Marcos Lago, Sergio Antonio Tomasetto, Venerável Mestre da Loja Maçônica Justiça Adonhiramita e Gilberto da Veiga, Chanceler da Loja Maçônica Justiça Adonhiramita.






terça-feira, 2 de novembro de 2010

REVISTA PARANÁ MAÇÔNICO EDIÇÃO 00




Em setembro de 1998 surgia a Revista Paraná Maçônico-Edição 00, com uma capa belíssima, uma verdadeira obra de arte elaborada pelo Irmão Marco Lago, com o por do sol representando a esperança de dias melhores e o pinheiro, símbolo do Paraná, representando a beleza e a força de um povo ordeiro e trabalhador incansável, sempre em busca do progresso e da fratenidade sincera e verdadeira

domingo, 2 de maio de 2010

RIQUEZA E CARIDADE, HÁ SALVAÇÃO COM ESTAS OU SEM ESTAS?

Luiz Paulo Wille

Trabalho apresentado em Grau de A.:M.:, em 15/06/2009

Meus Irr.:, quem já conhece-me sabe que não sou muito diplomático, ou seja, apresento minhas idéias e/ou conclusões de forma pouco adequadas. Tentarei não fazer isso hoje. Começo lendo a Parábola dos Talentos (Mateus, 25:14 a 30).

O Senhor age como um homem que, tendo que fazer uma longa viagem para fora de seu país, chamou seus servidores e lhes entregou seus bens. E tendo dado cinco talentos a um, dois ao outro e um a outro, segundo a capacidade diferente de cada um, logo partiu.

Aquele, pois, que havia recebido cinco talentos, foi-se embora; negociou esse dinheiro e ganhou outros cinco.

Aquele que havia recebido dois, ganhou da mesma forma outros dois. Mas aquele que havia recebido apenas um, cavou um buraco na terra e lá guardou o dinheiro do seu amo.

Muito tempo depois, tendo o amo voltado, chamou seus servidores, para que lhe prestassem contas.

E aquele que havia recebido cinco talentos veio e apresentou-lhe outros cinco, dizendo-lhe:

Senhor, vós me colocastes cinco talentos nas mãos; e tendes aqui mais outros cinco que ganhei.

O amo respondeu-lhe:

Bom e fiel servidor, porque fostes fiel com pouca coisa, dar-vos-ei muitas outras; entrai no gozo de vosso Senhor.

Aquele que havia recebido dois talentos, também veio se apresentar e disse:

Senhor, vós me colocastes dois talentos nas mãos; tendes aqui mais outros dois que ganhei.

E o amo respondeu-lhe:

Bom e fiel servidor, porque fostes fiel com pouca coisa, dar-vos-ei muitas outras; entrai no gozo de vosso Senhor.

Aquele que tinha recebido apenas um talento veio em seguida e lhe disse:

Senhor, sei que sois exigente; que ceifais onde não semeastes, e que colheis onde não haveis semeado; porque eu vos temia, fui esconder vosso dinheiro na terra; eis aqui, eu vos entrego o que vos pertence.

Mas o amo respondeu-lhe:

Servidor mau e preguiçoso, sabíeis que ceifo onde não semeei, e que colho onde não espalhei; devíeis, pois, colocar meu dinheiro nas mãos dos banqueiros, a fim de que, em meu retorno, retirasse com juros o que me pertencia.

Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o àquele que tem dez talentos; pois dar-se-á a todos que têm, e terão em abundância; mas àquele que nada tem, tirar-se-lhe-á até mesmo o que parece ter; e que se lance esse servidor inútil nas trevas exteriores: ali haverá choros e ranger de dentes.”

Meus Irr.:, a riqueza se tornaria um obstáculo absoluto à salvação daqueles que a possuem se interpretarmos ao pé da letra as palavras de Jesus. Assim, analisando num contexto mais amplo, pode-se dizer que a pobreza é para uns a prova de paciência e resignação, enquanto a riqueza é para outros a prova de caridade e abnegação.

Nesta linha, podemos dizer que a riqueza é distribuída por Deus?

Diante da resposta afirmativa podemos lembrar daqueles que em poucos anos (ou num momento de sorte) que passam da miséria à fortuna ou o contrário.

E Jesus disse a seus discípulos: Eu vos digo, em verdade, que é bem difícil a um rico entrar no reino dos Céus. Ainda vos digo mais: É mais fácil um camelo([1]) passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus. (Mateus, 19:16 a 24; Lucas, 18:18 a 25; Marcos, 10:17 a 25)

Inicialmente passo a evidenciar a riqueza pois esta, sem dúvida, é prova bastante arriscada e até mais perigosa do que a própria miséria, em virtude das tentações que oferece e até um meio inevitável de perdição.

O que Jesus quis dizer com “fora da caridade não há salvação”.

Os bens não são obstáculo à salvação, mas o amor possessivo a estes “bens terrenos” será obstáculo.

Com freqüência a riqueza traz o orgulho, o egoísmo, o laço mais forte que prende o homem à Terra e desvia seus pensamentos do bem, e se esta ocorrer em muito pouco tempo pode ainda fazer com que aquele que a percebe possa esquecer da condição de miséria ou mesmo dos companheiros que o ajudaram quando ainda vivia sob falta de condições, tornando-se insensível, egoísta e fútil.

Contudo, embora a riqueza dificulte o caminho daquele que a possui, não significa que o torne impossível e não possa vir a ser até um meio de salvação nas mãos daquele que dela saiba fazer bom uso.

Quando Jesus respondeu ao jovem que perguntava como alcançar a vida eterna e foi-lhe respondido para desfazer-se de todos os bens e segui-lo, não pretendia estabelecer uma condição absoluta, ou seja, que aquele transformasse-se em mendigo voluntário.

Quero crer que Jesus não quis dar entender que só se consegue a salvação desfazendo-se de tudo, acredito que o objetivo era mostrar que não basta ser um padrão de homem honesto perante o mundo – guardando os mandamentos (não fazer o mal; não maldizer seu próximo; não ser leviano, fútil ou orgulhoso; honrar seu pai e sua mãe), mas que a verdadeira caridade decorre da virtude da renúncia em favor do próximo.

Se as palavras de Jesus forem consideradas ao pé da letra, seria a abolição da riqueza por ser prejudicial à felicidade futura, seria a condenação do trabalho que a pode conquistar.

Deus a concentra em certos pontos para dali ela se expandir em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades. Assim, a missão da riqueza é gerar trabalhos de toda a espécie e, consequentemente, o trabalho desenvolve a inteligência e eleva a dignidade do homem, permitindo a este dizer com satisfação que ganha o pão que o alimenta, enquanto a esmola humilha e envergonha.

Mas percebe-se que por vezes Deus dá riquezas à pessoa incapaz de fazê-la frutificar para o bem de todos, o que prova a sabedoria e bondade de Deus que dá ao homem o livre arbítrio de estabelecer a diferença entre o bem e o mal.

Então podemos ver a riqueza como um meio de colocar o homem à prova moral. E, como esta é, ao mesmo tempo, um poderoso meio de ação para o progresso cada qual deve possuí-la – oportunamente – para aprender a utilizá-la e demonstrar que uso dela saberá fazer. Se todas as pessoas a possuíssem, ninguém trabalharia, e o melhoramento da Terra sofreria com isso.

Verdadeiramente, o homem só possui como seu aquilo que pode levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e desfruta durante sua permanência na Terra mas é forçado a abandonar tudo ao deixa-la.

A beneficência é apenas um dos modos de empregar a riqueza!.

Ela alivia a miséria atual, mata a fome, protege do frio e dá asilo ao abandonado.

A parábola dos talentos expressa: Bom e fiel servidor, entrai no gozo de vosso Senhor!

Entendo que devemos proceder em caridade como princípio básico de elevação para com Deus, a questão de dar pouco ou muito depende de cada um.

Portanto, “Dai a esmola quando for necessário, mas, tanto quanto possível, convertei-a em salário, a fim de que aquele que a recebe não tenha do que se envergonhar.”

Meus Irr.:, somos devedores uns dos outros e somente pela união sincera e fraternal será possível esse melhoramento. Contudo, meus questionamentos passam por Mateus 7:6: “Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem.”

Onde os porcos são os que têm aparências de cristãos, mas são filhos do maligno” (Mateus 13:38), esses que são falsos não merecem nossa caridade: "Pois não era um inimigo que me afrontava; então eu o teria suportado; nem era o que me odiava que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido. Mas eras tu, homem meu igual, meu guia e meu íntimo amigo. Consultávamos juntos suavemente, e andávamos em companhia na casa de Deus" (Salmos 55:12-14).

Eu mesmo já me respondo com o que é provérbio muito lembrado: “Fazei o bem sem olhar a quem”, que num pensamento mais intrínseco do ser humano decorre de uma vontade que o “seu bem” retorne pelas ações alheias, como uma situação de causa e efeito; que está no mesmo Mateus 7:12 da seguinte forma: “..., tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.”

Então, não prego pela “não caridade”, prego pelo zelo com nossos tesouros, incluindo entre estes o nosso óbulo dado em nosso tronco de beneficiência. Justifico.

Quando um homem trabalhou bastante, e com o suor do seu rosto acumulou bens, ouve-se freqüentemente que, “quando o dinheiro é ganho, sabe-se dar-lhe valor”.

A condição que nos liga ao reino de Deus é algo sublime, mas passa por um caminho estreito que, nem sempre, permite isenção de sofrimentos.

“Se sois pobres, não invejeis aos ricos, pois a riqueza não é necessária para a felicidade. Sois ricos, não vos esqueçais de que vossos bens vos foram confiados, e que deveis justificar o seu emprego, como uma prestação de contas de um empréstimo. Não sejais depositários infiéis, fazendo com que eles sirvam apenas para a satisfação de vosso orgulho e sensualidade; não vos acrediteis com o direito de dispor para vós unicamente o que recebestes, não como doação, mas somente como um empréstimo.”

Temos o dever de cuidarmos primeiro de nós mesmos e, em seguida, aos outros. O dever moral é a lei da vida, encontra-se desde os menores detalhes, assim como nos mais elevados atos.

O dever íntimo do homem é governado pelo seu livre-arbítrio, este aguilhão da consciência, guardião da integridade interior, o adverte e o sustenta, mas, muitas vezes, permanece impotente perante os enganos da paixão.

E Deus criou todos os homens iguais perante a dor; pequenos ou grandes, incultos ou esclarecidos, sofrem todos pelas mesmas causas, a fim de que cada um avalie com sensatez o mal que pôde ou pode fazer.

O critério para o bem, bem mais variado em suas expressões, não é o mesmo.

Por sua vez a virtude, no seu mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.

Aquele que faz alarde de sua virtude não é virtuoso, pois lhe falta a principal qualidade: a modéstia.

Carlos Drummond de Andrade disse certa vez: “A caridade seria perfeita se não causasse satisfação em quem a pratica”.

Compreensível que o homem que faz o bem sinta no fundo do coração uma satisfação íntima, mas, uma vez que essa satisfação se exteriorize para provocar elogios, degenera em amor-próprio, levando um ato de caridade a um patamar vil, mesmo que aquele que o recebeu o tenha como vital.



[1] Em hebreu, camelo era também empregada para designar “cabo”; popularmente era chamada de “camelo” a corda de amarrar navios que era feita com o pêlo deste.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

OS LANDMARKS

Irmão Edson Luiz Weiber (Gomes Leal) -ARLS Justiça Adonhiramita - COMAB - Cascavel - PR

Segundo Rizzardo da Camino, em seu Dicionário Maçônico o termo Landmarks em inglês significa “Limites”. Constituem os princípios fundamentais e tradicionais da Maçonaria. Todas as Leis maçônicas têm suas raízes nos Landmarks, isto significa dizer que tudo o que for proposto e/ou aceito como norma dentro da Instituição deve seguir seus princípios e postulados.

O vocábulo surgiu em 1721, no artigo 39 dos Regulamentos Gerais de Payne, e desde lá vêm sendo conservados com a curiosidade de que cada Rito os possui em maior ou menor numero.

Os Landmarks são considerados as mais antigas leis que regem a Maçonaria Universal, pelo que se caracteriza pela sua antiguidade, são um conjunto de princípios que não podem ser alterados para que se mantenha a unidade maçônica mundial.

Os Regulamentos, Estatutos e outras leis podem ser revogados, modificados ou anulados. Porém, os Landmarks, jamais poderão sofrer qualquer modificação ou alteração, são cláusulas pétreas, princípios que só podem ser modificados com o consenso universal o que é praticamente impossível.

Os Landmarks são da maior importância para os Maçons, se não fossem imutáveis, a tradição maçônica, que até nossos dias persiste, estaria mudada e os princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade hoje talvez não fizessem mais sentido.

Baseados nos usos e costumes de determinada época, não foram os Landmarks escritos, sancionados ou promulgados por nenhuma autoridade Maçônica, pelo contrário, sua aplicação foi se fortalecendo com o passar dos tempos.

Somente a partir do surgimento da Franco-Maçonaria em 1.717 os Landmarks passaram a ser coligidos e classificados e, desde então, praticados de forma universal nas comunidades Maçônicas.

Há grandes divergências entre os estudiosos e pesquisadores maçônicos acerca das definições e nomenclatura dos Landmarks. As potências Maçônicas latino-americanas, via de regra, adotam a classificação de vinte e cinco Landmarks compilada por Albert Galletin Mackey, nascido em Charleston nos Estados Unidos.

1.º - Os processos de reconhecimento são os mais legítimos e inquestionáveis de todos os Landmarks. Não admitem mudanças de qualquer espécie, pois, sempre que isso se deu, funestas conseqüências vieram demonstrar o erro cometido.

2.º - A divisão da Maçonaria Simbólica em três graus é um Landmark que, mais do que nenhum, tem sido preservado de alterações, apesar dos esforços feitos pelo daninho espírito inovador. Certa falta de uniformidade sobre o ensinamento final da Ordem, no grau de Mestre, foi motivada por não ser o terceiro grau considerado como finalidade; daí o Real Arco e os Altos Graus no modo de conduzirem o neófito à grande finalidade da Maçonaria Simbólica. Em 1813, a Grande Loja da Inglaterra reivindicou este antigo Landmark, decretando que a Antiga Instituição Maçônica consistia nos três primeiros graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre, incluindo o Santo Arco Real. Apesar de reconhecido por usa antiguidade, como um verdadeiro Landmark ele continua a ser violado.

3.º - A lenda do terceiro grau é um Landmark importante, cuja integridade tem sido respeitada. Nenhum Rito existe na Maçonaria, em qualquer país ou em qualquer idioma, em que não sejam expostos os elementos essenciais dessa lenda. As fórmulas escritas podem variar e na verdade, variam; a lenda, porém, do construtor do Templo constitui a essência e a identidade da Maçonaria. Qualquer Rito, que a excluísse ou a alterasse, materialmente cessaria, por isso, de ser um Rito Maçônico.

4.º - O governo da Fraternidade por um Oficial que preside, denominado Grão-Mestre, eleito pelo povo Maçônico, é o quarto Landmark da Ordem. Muitas pessoas ignorante supõem que a eleição do Grão-Mestre se pratica em virtude de ser estabelecida em lei ou regulamento da Grande Loja. Nos anais da Instituição se encontram, porém, Grão-Mestres, muito antes de existirem Grandes Lojas, e, se o atual sistema de governo legislativo por Grandes Lojas fosse abolido, sempre seria preciso a existência de um Grão-Mestre.

5.º - A prerrogativa do Grão-Mestre de presidir a todas as reuniões maçônicas, feitas onde e quando se fizeram é o quinto Landmark. É em virtude desta lei, derivada de antiga usança, e não de qualquer decreto especial, que o Grão-Mestre ocupa o trono em todas as sessões de qualquer Loja subordinada, quando se ache presente.

6.º - A prerrogativa do Grão-Mestre de conceder licença para conferir graus em tempos anormais, é outro e importantíssimo Landmark. Os estatutos maçônicos exigem um mês, ou mais, para o tempo em que deva transcorrer entre a proposta e a recepção de um candidato. O Grão-Mestre, porém, tem o direito de pôr de lado, ou de dispensar, essa exigência, e permitir a iniciação imediata.

7.º - A prerrogativa que tem, o Grão-Mestre, de autorização, para fundar e manter Lojas, é outro importante Landmark. Em virtude dele, pode o Grão-mestre conceder o número suficiente de Mestres Maçons, o privilégio de se reunirem e conferirem graus. As Lojas assim constituídas chamam-se “Lojas Licenciadas”. Criadas pelo Grão-Mestre, só existem enquanto ele não resolva o contrário, podendo ser dissolvidas por ato seu. Podem viver um dia, um mês ou seis meses. Qualquer, porém, que seja o tempo de sua existência devem-na, exclusivamente, à graça do Grão-Mestre.

8.º - A prerrogativa do Grão-Mestre, de criar Maçons, por sua deliberação, é outro Landmark importante, que carece ser explicado, controvertida como tem sido a sua existência. O verdadeiro e único modo de exercer essa prerrogativa é o seguinte: O Grão-Mestre convoca em seu auxílio seis Mestres Maçons, pelo menos; forma uma Loja e, sem nenhuma prova prévia, confere os graus aos candidatos; findo isso, dissolve a Loja e despede os Irmãos. As Lojas convocadas por esse meio são chamadas “Lojas Ocasionais” ou de “Emergência”.

9.º - A necessidade de se congregarem os Maçons em Loja é outro Landmark. Os Landmarks da Ordem sempre prescreveram que os Maçons deviam congregar-se, com o fim de se entregarem a tarefas operativas, e que a essas reuniões fosse dado o nome de “Loja”. Antigamente, eram essas reuniões extemporâneas, convocadas para assuntos especiais e, logo dissolvidas, separando-se os Irmãos para, de novo, se reunirem em outros pontos e em outra épocas, conforme as necessidades e as circunstâncias exigissem. Cartas Constitutivas, Regulamentos internos, Loja e Oficinas permanentes e contribuições anuais, são invocações puramente modernas, de um período relativamente recente.

10. - O governo da Fraternidade, quando congregado em Loja, por um Venerável e dois Vigilantes é também um Landmark. Qualquer reunião de Maçons, congregados sob qualquer outra direção, como, por exemplo, um presidente e dois vice-presidentes, não seria reconhecida como Loja. A presença de um Venerável e dois Vigilantes é tão essencial que no dia da consagração, é considerada como uma Carta Constitutiva.

11. - A necessidade de estar uma Loja a coberto, quando reunida, é um importante Landmark que não deve ser descuidado. Origina-se do caráter esotérico da Instituição. O cargo de Guarda do Templo que vela para que o lugar das reuniões esteja absolutamente vedado à intromissão de profanos, independe, em absoluto, de quaisquer leis de Grandes Lojas ou de Lojas subordinadas. E o seu dever, por esse Landmark é guardar a porta do Templo, evitando que se ouça o que dentro dele se passa.

12. - O direito representativo de cada Irmão, nas reuniões gerais da Fraternidade, é outro Landmark. Nas reuniões gerais, outrora chamadas Assembléias Gerais, todos os Irmãos, mesmo os simples Aprendiz, tinham o direito de tomar parte. Nas Grandes Lojas só tem direito de assistência os Veneráveis e os Vigilantes, na qualidade, porém, de representantes de todos os Irmãos das Lojas. Antigamente, cada Irmão se representava por si mesmo. Hoje, são representados por seu Oficiais. Nem por motivo dessa concessão, feita em 1717, deixa de existir o direito de representação, firmado por este Landmark.

13. - O direito de recurso de cada Maçom das decisões dos seus Irmãos, em Loja, para a Grande Loja ou Assembléia Geral dos Irmãos, é um Landmark essencial para a preservação da justiça e para prevenir a opressão.

14. - O direito de todo Maçom visitar e tomar assento em qualquer Loja, é um inquestionável Landmark da Ordem. É o consagrado direito de visitar, que sempre foi reconhecido como um direito inerente que todo Irmão exerce, quando viaja pelo Universo. É a conseqüência de encarar as Lojas como meras divisões, por conveniência, da Família Maçônica Universal.

15. - Nenhum visitante, desconhecido aos Irmãos de uma Loja pode ser admitido à visita sem que, antes de tudo, seja examinado, conforme os antigos costumes. Esse exame só pode ser dispensado se o Maçom for conhecido de algum Irmão do Quadro que por ele se responsabilize.

16. - Nenhuma Loja pode intrometer-se em assuntos que digam respeito a outras, nem conferir graus a Irmãos de outros Quadros.

17. - Todo Maçom está sujeito às leis e Regulamentos da Jurisdição Maçônica em que residir, mesmo não sendo membro de qualquer Loja. A inafiliação é já em si uma falta maçônica.

18. - Por este Landmark os candidatos à iniciação devem ser isentos de defeitos ou mutilações, livres de nascimento e maiores. Uma mulher, um aleijado, ou um escravo, não pode ingressar na Fraternidade.

19. - A crença no Grande Arquiteto do Universo, é um dos mais importantes Landmarks da Ordem. A negação dessa crença é impedimento absoluto e insuperável para a iniciação.

20. - Subsidiariamente a essa crença, é exigida a crença em uma vida futura.

21. - É indispensável a existência, no Altar, de um Livro da Lei, o Livro que, conforme a crença, se supõe conter a verdade revelada pelo Grande Arquiteto do Universo. Não cuidando a Maçonaria de intervir nas peculiaridades de fé religiosa dos seus membros, esses Livros podem variar de acordo com os credos. Exige, por isso, este Landmark, que um “Livro da Lei” seja parte indispensável dos utensílios de uma Loja.

22. - Todos os Maçons são absolutamente iguais dentro da Loja, sem distinções de prerrogativas profanas, de privilégios, que a sociedade confere. A Maçonaria a todos nivela nas reuniões maçônicas.

23. - Este Landmark prescreve a conservação secreta dos conhecimentos havidos por iniciação, tanto dos métodos de trabalho, como das suas lendas e tradições que só podem ser comunicadas a outros Irmãos.

24. - A fundação de uma ciência especulativa, segundo métodos operativos, o uso simbólico e a explicação dos ditos métodos e dos termos neles empregados, com propósito de ensinamento moral, constitui outro Landmark. A preservação da lenda do Templo de Salomão, é outro fundamento deste Landmark.

25. - O último Landmark é o que afirma a inalterabilidade dos anteriores, nada podendo ser-lhes acrescido ou retirado, nenhuma modificação podendo ser-lhes introduzida. Assim como de nossos antecessores os recebemos, assim os devemos transmitir aos nossos sucessores. NOLONUM LEGES MUTARI.

São, portanto, eternos e imutáveis.

Enquanto a Maçonaria existir, os Landmarks serão os mesmos, como eram a séculos.

Referências bibliográficas:

CAMINO, Rizzardo da. Dicionário Maçônico/Rizzardo da Camino. São Paulo: Madras, 2006.
JURADO, José Martins. Apontamentos: Maçonaria Adonhiramita. São Paulo: Madras, 2004.

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